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comunidades de aprendizagem

sobre o assunto

Lauro de Oliveira Lima

Escola, no futuro, será um centro comunitário.
A escola não se reduzirá a um lugar fixo murado.

De acordo com o que conhecemos, a primeira  proposta teórica foi concebida no início da década de 60 pelo pedagogo brasileiro Lauro de Oliveira Lima, dando origem a dois livros; A Escola Secundária Moderna editado em 1963, e A Escola de Comunidade editado em 1967.

 

Só mais tarde surgem escritos por intermédio dos Anglo-saxónicos (início da década de 90) e dos Catalães (final da década de 90), que iniciaram o debate em torno do conceito das comunidades de aprendizagem.

É um conceito em aberto, sem muros, que está a ser desenvolvido em diversos países, tendo em conta o contexto e realidade de cada um.

José Pacheco

Escolas são pessoas, e as pessoas são os seus valores, que dão origem a projetos.

"Os projetos humanos contemporâneos não se coadunam com as práticas escolares que ainda temos, carecem de um novo sistema ético e de uma matriz axiológica clara, baseada no saber cuidar e conviver. Requerem que abandonemos estereótipos e preconceitos, exigem que se transforme uma escola obsoleta numa escola que a todos e a cada qual dê oportunidades de ser e de aprender.

 

Se a modernidade tende a remeter-nos para uma ética individualista, nunca será demais falar de convivência, diálogo e participação, enquanto condições de aprendizagem. Será oportuno falar de... comunidades de aprendizagem."

 

Excerto de entrevista a José Pacheco, pedagogo português, sobre Comunidades de Aprendizagem (2016) 

 

 

 

 


"Comunidade não é levar os Pais para dentro da escola fazer uma tertúlia, não é nada disso, ou fazê-la mesmo fora dos muros da escola, comunidade não é fazer um dia de projeto, ou uma hora de projeto com a participação de meia dúzia de Pais, isso é um faz de conta de comunidade, a comunidade é muito mais do que isso… mas não quero estar a insistir muito naquilo que não é… então vamos lá rever o conceito de escola, para nós percebermos o que eu estou a falar. 

 

Escolas são pessoas, não são edifícios, não são burocracias, escolas são pessoas, as pessoas são os seus valores, esses valores transmutados numa carta de princípios dão origem a projetos, projetos politico-pedagógicos, dentro dos projetos temos, se quisermos falar de escola, uma dimensão de currículo subjetivo, que é o de cada qual, e uma dimensão comunitária, que é uma grade curricular nacional, entre aspas, dialogando com necessidades, sonhos, enfim, dificuldades, problemas locais, saberes populares, e tudo mais.

 

Voltando atrás, temos então  um projeto, e o projeto é desenvolvido por pessoas que partilham valores, partilham uma visão de sociedade, de pessoa, para desenvolver essa ideia, para pôr em prática esses princípios nós precisaremos de considerar que há dois grandes espaços, o da comunidade, onde a escola está inserida, a escola é um nodo de uma rede de aprendizagem colaborativa, e é preciso pensar na comunidade virtual, então teremos um espaço físico concreto, uma região, um território educativo se quisermos chamar, com um mapeamento de espaços e pessoas com potencial educativo, e temos então uma escola que deixa de ter o atávico procedimento do século XIX, de ter aula, de ter turma, e tudo mais, ter muros, ter tudo aquilo que não deve, e colocar em diferentes espaços e tempos que aprendemos uns com os outros mediatizados pelo mundo 24h por dia 365 dias por ano, ou 366, porque não há razão nenhuma para haver apenas 200 dias letivos, não se trata de ensinar, trata-se de aprender, o padrão do professor altera-se profundamente, ele deixa de ser um papagaio de transmissão de conteúdo, que esse conteúdo está nos livros, está nas pessoas, está na internet, está em todo o lugar, e deve ser buscado sabendo pesquisar, sabendo selecionar, comparar, analisar, avaliar, sintetizar e comunicar informação para a transformar em conhecimento, e depois o conhecimento coloca-lo numa ação desenvolvendo competências.

 

Então temos uma escola completamente integrada no seu contexto social, produzindo conteúdo contribuindo para o desenvolvimento local através do contributo que tem dar, que é o de transmitir um património de saberes e de saber-fazer, num tido de educação integral que contempla as múltiplas dimensões do Ser Humano, o Ser Humano é um Ser multidimensional, não é só cabeça, não é só intelecto, a dimensão cognitiva, afetiva, emocional, ética, estética, sócio-moral, espiritual, etc.. Nesse sentido o professor passa a ser também, e sobretudo, um educador, a par do jardineiro, da faxineira, do cozinheiro, do pai, da mãe, do desempregado, de toda a gente, do avô, em criação de vizinhança, ou seja, colaborar, co-elaborare, partindo das necessidades locais, desenvolver dignidade, desenvolver requalificação dos espaços onde se vive, desenvolver pessoas…

 

Resumindo, Comunidades de Aprendizagem são pessoas, que partilham os mesmos valores, que produzem conhecimento a partir de projetos e que partilham esse conhecimento transformando numa ação que contribui para o desenvolvimento sustentável das comunidades. É disto que se trata, e para isso as escolas não podem ter, não podem ter, nem aula, nem turma, nem série, nem horário, nem ponto, nem diretor."

José Pacheco, 2016

Entrevista - José Pacheco
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um princípio de definição...

Critérios de natureza pedagógica e científica

 

Podemos iniciar a definição de Comunidades de Aprendizagem como sendo uma práxis comunitária baseada num modelo educacional gerador de desenvolvimento sustentável. Pode assumir a forma de rede social física, ou de rede virtual. Nas palavras de Lauro de Oliveira Lima, são divisões celulares da macroestrutura em microestruturas federalizadas num conjunto maior, mais complexas, que facilitam o encontro entre pessoas, espaços-tempos de preservação da unidade da pessoa, ao invés de dividir a pessoa para assegurar a unidade da sociedade.

 

Porque baseamos todas as nossas ações em critérios de natureza pedagógica e científica está em desenvolvimento a fundamentação teórica do conceito de Comunidades de Aprendizagem... na prática... em comunidade.
 


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   Mahatma Gandhi